26 de fev de 2010

Conto de fadas moderno

Era uma vez um conto de fadas dos tempos modernos, onde a cinderela não calçava 35, preferia sandálias gladiadoras invés de sapatinhos de cristal, e funk no lugar da tradicional valsa.
Quando se conheceram não foi amor a primeira vista, alias, tinham certeza que ficariam uma vez só, por simples, mas forte atração. Péssimos nas previsões, diga-se de passagem.
Não se passava num reino tão, tão distante. Ela tinha cabelos compridos, mas não costumava trançá-los. Ele se dizia corajoso, fazia academia e tudo mais, mas jamais enfrentaria o dragão da torre por ela. Ela não comera maçã envenenada, alias nem gostava de frutas, mas tinha grande afeto por “anões”. Não perguntava para seu espelho se existia alguém mais bonita que ela, era obvio que sim, e ela odiava perguntas obvias. Ela não sonhava em se casar ter filhos, e bordar enxoval. Ele queria aproveitar ao máximo sua solteirice, e depois casar e ter filhos. Homossexual pra ele não era homem ou mulher, era gay. Isso a tirava do serio. Não usava os lindos vestidos longos e maravilhosos, preferia short e regata. O esporte dele não era esgrima, ou a luta tradicional de espadas, mas sim o futsal. Não foi um “felizes para sempre”, mas um “felicíssimos enquanto durou” com direito até a um final feliz, mas nessa história, o príncipe e a princesa não terminaram juntos. Mesmo assim, não deixou de ser um conto de fadas.


Sharyel Toebe

Lembro-me

Não posso ficar mais de 5 minutos sozinha em silencio que me vem à cabeça.
Lembro, mas não necessariamente sinto falta, ou se sinto não quero admitir. Ainda lembro-me do seu jeito de sorrir, de franzir o cenho após falar uma besteira e de fazer piadinhas a meu respeito.
Lembro, e aí sim sinto falta, das nossas bocas secas, de quando éramos só nós dois e por algumas horas o mundo virava pó, nada importava. Deixe que toque o telefone, depois eu invento uma desculpa para minha mãe, ou melhor, que desculpa o que, falo a verdade e finjo que não ouço suas reclamações de chegar em casa quando faltam apenas alguns minutos pro sol nascer.
Lembro-me, como se fosse hoje do primeiro beijo, primeira ligação, primeira mensagem com o final "dorme bem amor", o que era atipico de ambos.
Ah, e como me lembro do nervosismo durante o tempo de atraso do teu “te ligo lá pelas nove”. Pra mim, que nunca fui de paixões-frio-na-barriga, nem pro medo de sofrer não ligava mais, tu chegaste em meio a maior metamorfose da minha curta vida, que fazias questão de ressaltar o quão curta era.
O termino que eu não temia, mas sempre soube que não seria tão distante, não foi doloroso, apenas contatos cada vez mais escassos, as olhadinhas no celular pra conferir se ele tinha tocado e eu não ouvira, mesmo estando com ele na mão, ficaram cada vez mais demoradas.
Lembro, muito bem, de que não doera. Muito pelo contrario, quando eu sentia saudade te buscava em meus pensamentos e ria sozinha, eu não culpava ninguém pela nossa separação, se é que estávamos juntos, mas agradecia a aquela força maior por ter convivido contigo. A pessoa que realmente me fez enxergar que aquela frase que diz que a felicidade não esta no tempo em que as coisas duram, mas sim na intensidade, fazia total sentido.

Sharyel Toebe

25 de fev de 2010

Mudança, a lei da Vida

Mudam-se os tempos, as companhias, e as ocupações. Mudam-se as atitudes, as vontades e as preferências. Mudam-se os assuntos e os pontos de vista. Mudam-se as séries, as escolas e os colegas. Mudam-se os amores, os sentimentos e as razões da felicidade. Mudam-se as cores e os sons. Mudam-se os medos, as dores e suas razões. Mudam-se as vidas, o corpo físico e as missões na terra. Enfim, praticamente tudo em relação ao ser humano muda, exceto os verdadeiros amores.

Sharyel Toebe

19 de fev de 2010

Quanta Falta

Quanta falta fez...
O beijo não roubado na frente dos seus amigos
A ligação não feita, só pra ouvir sua voz, com medo de gaguejar, não saber o que falar
A declaração não completa, que, por seu orgulho bobo, você desconversou
Os nossos planos de fuga, para ficarmos sozinhos, que acabaram não acontecendo


Quanta falta faz...
A sua companhia, durante o pôr-do-sol, e aquela lua, mais cheia e amarela do que nunca
O seu cheiro em mim, que não permite que eu passe mais de cinco minutos sem pensar em ti, como se precisasse de qualquer coisa para isso...
As suas cobranças sobre a minha responsabilidade com o trabalho não feito
E até mesmo sua mão, que insiste em me escabelar


Quanta falta faria...
Se eu não tivesse deixado meu orgulho de lado, e não tivesse te procurado na noite em que eu mais precisava do teu abraço
Se você não tivesse ligado inesperadamente quando eu só queria era sumir do stress da minha casa
Se não tivesse você pra me lembrar o lado bom da vida sempre, e se não menosprezasse ao máximo minha nostalgia
Se não tivesse o seu sorriso, que mesmo sem querer, me transporta pra outra dimensão


Quanta falta fará...
Quando eu quiser esquecer do mundo, dos problemas, e lembrar-me que só você tem esse poder
Quando tudo voltar ao normal, o contato se perder e houver um pouquinho de esperança, mesmo sabendo que não vais ligar
Quando a nossa musica não tocar mais pra lembrar de ti, pois fora a mais ouvida no verão
Quando, enfim, eu não sentir mais nada, e você não estiver aqui para perceber isto.


Sharyel Toebe

18 de fev de 2010

Então bateu a porta, deu as costas, saiu velozmente, propalando seus dissabores aos ventos. Termina ali o namoro de três anos com Julia. Ah, Julia, como pode enganá-lo, ele que sempre se dedicou a ela, deixou de viver sua vida, de realizar seus sonhos para poder sempre estar ao lado dela, a ingrata Julia. Lembrou então, que em seus outros dois relacionamentos anteriores acontecera a mesma coisa: ele se dedicava inteiramente às suas amadas, e elas se diziam sufocadas. “Elas não sabem o que é amor, merecem sofrer” pensava ele. Lembrou então do que Claudia, sua primeira namorada, lhe dissera ao terminarem o namoro, de meros 5 meses.



- Querido, você exige muito de mim, diz que vive somente para mim, mas você tem de viver para você mesmo. Diz também, que sou ingrata ao seu amor, que sou a pessoa mais importante em sua vida, mas acima de tudo você deve amar a si mesmo, e não devia esperar tanta dedicação de minha parte, porque antes de tudo eu tenho a minha vida, não que você não seja importante nela.


- Sua egoísta, ridícula. Gritou ele.Não entedia mesmo as mulheres, eram todas iguais.


Pôs se então a pensar nas palavras de Claudia. Será que o erro estava nele ou nelas? Era mais fácil uma pessoa só errar do que três. Fazia sentido, mas era muito difícil para ele admitir o erro. No fundo ele até sabia que o medo de olhar as próprias sombras acaba não permitindo que você se veja realmente como é, mas como é sempre mais fácil não mexer nos erros, fingir que esta tudo bem, e como também já era de seu costume, preferiu continuar mentido para ele mesmo, que o erro era delas, e perdendo mais uma oportunidade de amadurecer interiormente.


Sharyel Toebe

11 de fev de 2010

Te amo por razões não ter,
Suas manias que não consigo entender,
Por em minhas juras não crer.

Por menosprezar minha dor,
Mal ver meu imenso amor
E tanto faz se ficar ou for.

Te amo por ti ser assim:
Tudo e nada pra mim,
Valioso como o Supenso jardim.

Pelo teu jeito de ser,
Por tantas explicações haver;
Te amo por razões não saber.

Sharyel Toebe
Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar. Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar. Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência, pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência.


Martha Medeiros
Amor, que o gesto humano na alma escreve,
Vivas faíscas memostrou um dia.
Dpnde um puro cristal se derretia
Por entre vivas rosas e alva neve.

A vista, que em si mesmo não se atreve,
Por se certificar que ali via,
Foi convertida em fonte, que fazia
A dor ao sofrimento doce e leve.

Jura amor que brandura de vontade
Causa o primeiro efeito; o pensamento
Endoidece, se cuida que é verdade.

Olhai como amor gera, num momento,
De lágrimas de honesta piedade,
Lágrimas de imortal contentamento.

Luis Vaz de Camões

5 de fev de 2010

Teu segredo

Flores envenenadas na jarra. Roxas azuis, encarnadas, atapetam o ar. Que riqueza de hospital. Nunca vi mais belas e mais perigosas. É assim então o teu segredo. Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu.

Clarice Lispector

A procura da sanidade

Não deixes que te digam o que deves ou não fazer. Viver com o coração na mão, pulsando de emoção, isso sim é que faz sentido. Pois quem sorri é a boca do coração, que mostras seus dentes sentimentalistas, e não a da razão, que é fria e seca, e vive em vão. Se fores ser feliz, seja por completo, por que felicidadezinha meia boca não é feliz. Arrisque-se, se atire do precipício que é a vida, caia no mar indecifrável de sentimentos, permitindo por vezes afogar-se em ondas de sofrimento, sem ter medo de parecer fraco, por que a fraqueza esta nos braços de quem vê. Não procure viver, ache.

Sharyel Toebe