11 de fev de 2010

Amor, que o gesto humano na alma escreve,
Vivas faíscas memostrou um dia.
Dpnde um puro cristal se derretia
Por entre vivas rosas e alva neve.

A vista, que em si mesmo não se atreve,
Por se certificar que ali via,
Foi convertida em fonte, que fazia
A dor ao sofrimento doce e leve.

Jura amor que brandura de vontade
Causa o primeiro efeito; o pensamento
Endoidece, se cuida que é verdade.

Olhai como amor gera, num momento,
De lágrimas de honesta piedade,
Lágrimas de imortal contentamento.

Luis Vaz de Camões

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