26 de fev de 2010

Lembro-me

Não posso ficar mais de 5 minutos sozinha em silencio que me vem à cabeça.
Lembro, mas não necessariamente sinto falta, ou se sinto não quero admitir. Ainda lembro-me do seu jeito de sorrir, de franzir o cenho após falar uma besteira e de fazer piadinhas a meu respeito.
Lembro, e aí sim sinto falta, das nossas bocas secas, de quando éramos só nós dois e por algumas horas o mundo virava pó, nada importava. Deixe que toque o telefone, depois eu invento uma desculpa para minha mãe, ou melhor, que desculpa o que, falo a verdade e finjo que não ouço suas reclamações de chegar em casa quando faltam apenas alguns minutos pro sol nascer.
Lembro-me, como se fosse hoje do primeiro beijo, primeira ligação, primeira mensagem com o final "dorme bem amor", o que era atipico de ambos.
Ah, e como me lembro do nervosismo durante o tempo de atraso do teu “te ligo lá pelas nove”. Pra mim, que nunca fui de paixões-frio-na-barriga, nem pro medo de sofrer não ligava mais, tu chegaste em meio a maior metamorfose da minha curta vida, que fazias questão de ressaltar o quão curta era.
O termino que eu não temia, mas sempre soube que não seria tão distante, não foi doloroso, apenas contatos cada vez mais escassos, as olhadinhas no celular pra conferir se ele tinha tocado e eu não ouvira, mesmo estando com ele na mão, ficaram cada vez mais demoradas.
Lembro, muito bem, de que não doera. Muito pelo contrario, quando eu sentia saudade te buscava em meus pensamentos e ria sozinha, eu não culpava ninguém pela nossa separação, se é que estávamos juntos, mas agradecia a aquela força maior por ter convivido contigo. A pessoa que realmente me fez enxergar que aquela frase que diz que a felicidade não esta no tempo em que as coisas duram, mas sim na intensidade, fazia total sentido.

Sharyel Toebe

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